A Notícia, Anexo, 04/03/2010

Diário Catarinense, Guia Hagah, 23/01/2009

Diário Catarinense, Contracapa, 25/12/2008


Diário Catarinense, Fábio Brüggemann, 22/11/2008

No teatro

Eu não sou Aline Valim, nem tenho o profundo conhecimento acadêmico que ela tem, com sua pós-graduação e seu linguajar da tribo dos que fazem teatro. Do mesmo modo, não sei escrever como os acadêmicos gostariam (igual as traduções de Derrida, Deleuze e companhia,) para fazer uma crítica de teatro condizente com este nome.

Em algumas ocasiões, disse ou escrevi que não gosto de teatro, o que é (eu sei) uma barbaridade. Ao contrário do cinema, onde a tragédia "real" (em tempos de barbárie é preciso grifar o real) poderia ser um incêndio na sala de exibição, o teatro me dá uma angústia constante, como se o tempo todo fosse acontecer uma tragédia. Não aquela implícita em sua dramaturgia, mas a "real", a que me avisa o tempo todo que aquela encenação pode ser trágica, por exemplo, se o ator desmaiar, esquecer o texto, ou o cenário cair na cabeça dele.

Meu problema é não desassociar a encenação do "real", ainda que eu nem saiba ao certo diferenciar realidade da imaginação. Como Kafka, imagino constantemente tragédias, desde garoto, talvez como um modo de me defender delas.

Mas um dia destes, alguém disse que meu problema era ainda não ter visto uma boa peça. Concordei, aparentemente, porque faria diferença minha idiossincrasia com o teatro se a peça fosse boa ou não? Como saber se uma encenação é boa ou não? Que argumentos usar para atacá-la ou defendê-la? Por que eu não acho graça nas pretensas comédias globais enquanto toda a platéia se estrebucha de rir?

Não preciso ser Aline Valim para justificar o gosto por isto ou por aquilo. Sei que gosto é única coisa passível de discussão, ao contrário do ditado popular. Por isso, meus nove leitores diletos, assistam à peça Mi Muñequita, escrita pelo uruguaio Gabriel Calderón, dirigida pelo Renato Turnes, com Paulo Vasilescu, Milena Moraes, Malcon Bauer, Mônica Siedler, Alvaro Guarnieri e Sabrina Gizela. Se o teatro é o lugar do ator, como afirmava Paulo Autran, talvez eu tenha gostado exatamente porque o elenco me fez perder o medo de que alguma tragédia "real" acontecesse.

É no teatro da Ubro, somente neste final de semana.

Publicado na coluna do autor no Diário Catarinense de 22/11/2008 e em seu blog.

Site Aqui Rola, 15/11/2008

A histérica família de Mi Muñequita, por Roney G. Pereira


Uma família louca, desestruturada, envolta em traições, disputas por poder e fadada a tragédia. Assim pode-se descrever a estranha e bizarra família retratada no espetáculo Mi Muñequita, em cartaz em Florianópolis. É a estória de degradação e tragédia do convívio entre quatro paredes.

O espetáculo apresentado até o final de novembro no teatro da U.B.R.O. tem uma produção bastante cuidada em muitos detalhes. Da cenografia de Marcelo Nuernberg Schroeder, a maquiagem de Robson Vieira, aos figurinos de Loli Menezes, tudo costurado pelo experiente ator, em sua estréia como diretor, Renato Turnes, todos os detalhes se encaixam, se cruzam e fazem um grande visual.

Somados ao visual, que lembra antigos espetáculos de teatro de revista, um elenco preciso, bem ensaiado e forte em sua cumplicidade em cena, conta a estória de Nena (Monica Siedler), uma garota que não cresceu nos padrões familiares convencionais e busca a liberdade e felicidade de alguém que não vive, apenas existe. Uma garota que não pode morrer pois nunca se sentiu viva.

A peça escrita pelo uruguaio Gabriel Calderón, é sucesso em seu país há alguns anos. Nesta primeira montagem brasileira, a ótima tradução ficou a cargo do também uruguaio, radicado em Florianópolis, Esteban Campanela, com adaptações feitas pela produção do espetáculo, com toques regionalistas. Os nomes dos personagens, assim como alguns trechos da trama foram mantidos no idioma original, dando um ar ainda mais cômico a versão nacional. Um dos destaques são os acessos de histeria de La Madre, interpretada por Milena Moraes, com seu espanhol impecável, que passa de um idioma a outro instantaneamente deixando o espectador tonto de tanto rir.

Nena e sua boneca Huerfanita (órfãzinha no espanhol) são confidentes e amigas, parceiras nos dramas e nas tramas. Huerfanita (Sabrina Gizela) é o lado obscuro e vil da doce Nena que sofre a pressão e os abusos familiares, ela é o alter-ego da garota que se sente órfã em uma família que não é presente como gostaria. A presença da família chega até Nena através de abusos, pressões e recriminações. Vale ressaltar o brilhante desempenho de Sabrina Gizela, como a boneca Huerfanita, que ao abrir de cortinas deixa o espectador em dúvida se ali está realmente uma boneca em tamanho natural ou uma ótima atriz.

As figuras masculinas da família, El Padre e El Tio, respectivamente Alvaro Guarnieri e Malcon Bauer, são tipos distintos e ao mesmo tempo parecidos. Os dois são tipos egoístas, machistas e grosseiros com seus desejos e prazeres na vida. Enquanto um abusa de Nena o outro a ignora causando na garota igual decepção e tristeza. 

A estória de Nena e sua família, narrada por El Presentador, interpretado por Paulo Vasilescu em grande atuação, tem momentos trágicos e cômicos, entremeados por músicas melosas e cafonas dando um toque de dramalhão esquizofrênico às trágicas e hilárias situações em cena. Entre Amada Amante (Roberto Carlos), e Por Qué Te Vas (José Luis Perales), Mi Muñequita é um show de variedades onde tudo pode acontecer e onde o riso acontece naturalmente nas surpresas que podem vir a qualquer momento. Um espetáculo que diverte sem fazer qualquer esforço.

Jornal do Almoço/ RBS TV, 15/11/2008

Diário Catarinense, Contracapa, 14/11/2008

Mi Muñequita - O escracho da tragédia, por Marcos Espíndola

Dá para perceber que o Prêmio Miriam Muniz da Funarte tem mais tato para a coisa do que o nosso Funcultural - que deu R$ 150 mil para a Vera Fisher peidar no palco!!! Coisa do Lorde Luiz Henrique...

Conferi a pré-estréia de Mi Muñequita, peça dirigida por Renato Turnes que adaptou o texto do diretor uruguaio Gabriel Calderón, que entrou em cartaz no Teatro da Ubro. A adaptação desta tragicomédia ganha um enredo peculiar pelo formato de teatro de revista. Da escola de latina de teatro, que também lembra aquela dramaticidade debochada de Almodóvar, Mi Muñequita é a pedida certa para boas risadas e surpresas. O elenco é afiado, com destaque para el apresentador Paulo Vasilescu, que faz a costura e dá o ponto final na trama da menina (La Nena, interpretada por Monica Siedler), que se enterra na insanidade, na falência moral e nos abusos da sua família desajustada, composta pelos hilários El Padre (Alvaro Guarnieri), La Madre (Milena Moraes), El Tío (Malcon Bauer). O anteparo de La Nena é seu alter-ego La Huerfanita (a boneca vivida por Sabrina Gisela).

Foto: Cristiano Prim

Neste contexto de abusos, ausência, disputas familiares, a tragédia a comédia é um saboroso complemento, o que facilita a digestão e leva a boas reflexões sobre a vida como ela é, só que muito mais escrachada e divertida que a nossa escola rodrigueana.

A pergunta que não quer calar é "Será que a Aline Valim apareceu por lá?". Não vi o Marco Vasques na platéia, mas o Fábio Brüggemann estava lá. Daí alguém me soprou: 'se aparecer alguma crítica da Aline, então é o Fábio". Vixe!!!!!

Mi Muñequita estréia oficialmente hoje, com apresentações neste sábado e domingo, às 21h, no Teatro da Ubro, no Centro da Capital. E volta no final de semana que vem, no mesmo palco e horáio.

Informe-se sobre a peça no blog do projeto: www.mmunequita.blogspot.com

Publicado na coluna do autor no Diário Catarinense de 14/11/2008 e em seu blog.

Jornal do Almoço/ RBS TV, 15/11/2008

Diário Catarinense, Variedades, 14/11/2008


Bom Dia SC/ RBS TV, 14/11/2008